terça-feira, 21 de janeiro de 2014

AS ESTRELAS SÃO COMO SONHOS













OS SONHOS SÃO COMO ESTRELAS


São Bernardino se emancipou de Campo Erê em 1995. É hoje uma bela cidadezinha com ruas largas e planejadas, limpa e bem cuidada. Quem a visita não faz ideia da situação dos primeiros anos quando as condições eram muito precárias.
Falei com alguns dos primeiros, vindos, principalmente, de Boa Vista e Poço das Antas. Imaginava que guardavam tristes lembranças destes tempos difíceis. Então, com surpresa, ouvi o depoimento de Anita Flach Ludwig. Disse que, se pudesse escolher, para viver de novo escolheria esses primeiros anos:
-Foram os dias mais felizes da minha vida na companhia do marido e rodeada dos filhos que iam nascendo e enchiam as nossas vidas de alegria e esperança.
Conta seu Nelson que para visitar os amigos atrelava os bois à carreta e carregava todos os filhos. Algumas vezes a viagem era longa chegando a demorar uma hora e meia para chegar à casa do amigo.
As conversas eram animadas e, apesar das condições difíceis, sempre havia um chimarrão, pipocas, uma rapadura ou, em ocasiões muito especiais, uma cuca.
E como já se dizia naquela época:
- Bem, a conversa está boa, mas o caminho da volta é longo.
E depois de as mulheres terem colocado as fofocas em dia, os homens compartilhado experiências de roça e relembrado os anos de juventude na velha Boa Vista e as crianças já cansadas de tanto brincar, eis que uma carroça parte rumo ao lar levando um casal de alma lavada e suas crianças, que num último esforço ainda fazem algazarra.
Conta seu Nelson que deitadas na carroça olhavam para o céu e contavam as estrelas. E tomavam posse das mais bonitas lá no alto. Então, a caçulinha desatou a chorar. Queria que o pai agarrasse a sua estrela e a colocasse em suas mãozinhas. Todos riram da inocência da menina, mas o pai, com muita sabedoria, falou para os filhos:
- As estrelas são como sonhos. Eles não podem vir a nós. Nós é que devemos correr atrás deles. Os sonhos, assim como as estrelas, nos fazem olhar para o alto. Por isso é que Deus as colocou lá em cima, onde devem estar os nossos limites. Elas são inatingíveis como devem ser os nossos ideais. Meus filhos, não sonhem pequeno! Sonhem com as estrelas.
A caçulinha correu atrás dos seus sonhos. Andou por veredas, atalhos e picadas tortuosas. Mas sabe que tudo valeu a pena porque hoje entende as sábias palavras do pai. Ela tem em suas mãos, duas estrelas brilhantes que lhe iluminam o caminho quando as trevas do infortúnio tentam envolvê-la.
Assim nasceu São Bernardino. Citei o Nelson e sua esposa Anita neste texto, mas com certeza, esta história caberia em cada um dos pioneiros de toda esta região. Eles são o alicerce da cidade e sua história está baseada sobre o que de mais nobre pode caber na alma de um ser humano. O amor pelo companheiro, pelos filhos e pela terra que os acolheu com tanta generosidade.


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A FALTA DE TEMPO







reprise do texto já publicado no ano de 2009


A FALTA DE TEMPO

É muito comum as pessoas alegarem falta de tempo para qualquer atividade fora de sua rotina. Parece que quanto mais as máquinas nos substituem nas nossas atividades profissionais mais atribuições a vida nos impõe. Se elas fazem o nosso trabalho então mais tempo deveria sobrar para as atividades extra-profissionais. No entanto, o que acontece é justamente o contrário. Isso é um paradoxo.

No entanto, é absolutamente certo que todos temos, vinte e quatro horas, por dia à nossa disposição. A questão então é organização. Você deve escolher suas prioridades. Provavelmente, quem sempre alega falta de tempo se tivesse várias horas a mais por dia ainda assim continuaria com falta de tempo.
Neste dia 21 de dezembro tivemos, aqui no Sagrado, o “NATAL NAS COMUNIDADES”. Essa é uma iniciativa louvável da prefeitura de Barão com a colaboração especial dos maestros Lucas Grave e Airton Guilherme Grave.
Tradicionalmente, era realizado na sede. A partir desse ano, a administração municipal decidiu interiorizar o evento. Neste ano de 2009, a nossa comunidade (Sagrado Coração de Jesus) teve o privilégio de sediá-lo além de mais duas outras comunidades: Francesa Alta e Francesa baixa. A intenção da administração municipal é continuar, nos próximos anos, com essa interiorização quando outras comunidades serão selecionadas.
No final da apresentação, conversei com alguns jovens, músicos da banda. Agradeci e disse que a comunidade estava orgulhosa e agradecida em poder contar com uma programação de tanta qualidade.  Então os questionei a respeito do tema acima exposto. Perguntei como encontravam tempo para essa atividade que certamente lhes tomava algumas horas por semana. Então um deles me respondeu:
-Quando é algo que nos dá prazer sempre encontramos algum tempo, apesar da correria do dia a dia.
 Aí está um exemplo de pessoas que encontram tempo para fazer coisas lindas como as que assistimos naquela noite. Jovens, crianças e pessoas já com mais idade estiveram aqui vindos de todos os quadrantes do município.  
Quero agradecer ao Secretário de Educação e Cultura, Professor Sérgio, ao prefeito em exercício Tercílio, ao Padre Asabido, nosso Vigário, aos Maestros Lucas e Airton, aos cantores e músicos que nos presentearem com essa noite mágica.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

ANIMAIS DOMÉSTICOS

Há alguns dias, apareceu, aqui em casa, um cachorrinho mal tratado, sujo, faminto e cheio de perebas
O cavalo foi domesticado para prestar trabalho ao homem.
Porque não domesticamos o gambá?


ANIMAIS DOMÉSTICOS



Sempre que proponho uma reflexão sobre comportamento social, gosto de me reportar aos primórdios da nossa existência aqui na terra.
Vejamos o relacionamento entre homem e mulher. Uma vez, ela aceitava submeter-se ao seu parceiro em troca de segurança e sustento. “Eu aceito a tua dominação, mas, em troca, tu te responsabilizas por mim”. Atualmente esta relação está mudada ainda que, mesmo nos tempos modernos, alguns comportamentos nos deem indicativos de que este relacionamento persiste. Seguidamente, o homem tenta se impor diante da mulher e ela se sente segura na companhia de um homem dominador com qualidades que satisfaçam o seu  bem estar. (riqueza, músculos fortes, poder). São resquícios que continuam na nossa memória genética e nos livrarmos dela demanda muito tempo.
Uma situação semelhante acontece com os governos. Sujeitamos-nos, pagamos impostos e nos submetemos às regras do Estado em troca de segurança, saúde e educação ainda que, muitas vezes, pagamos os impostos sem termos, em troca, os devidos benefícios.
 Imagino que, lá no início, não havia animais domésticos. Cada espécie fora dotada de habilidades que lhe pudessem garantir a sobrevivência. Havia liberdade e autodeterminação para que cada espécie vivesse de acordo com sua natureza.
A domesticação é sempre uma violência. É um jogo de interesses. Eu te dou comida, segurança e conforto e você me dá trabalho (boi cavalo etc.), alimentos (carne, ovos etc.) ou companhia (animais de estimação). Porque não domesticamos o gambá? Certamente porque o homem não via benefícios nas características deste animal. É um jogo de “toma lá e dá cá”. De dominação e submissão.
Há alguns dias, apareceu, aqui em casa, um cachorrinho mal tratado, sujo, faminto e cheio de perebas. Quando domesticamos um animal lhe tiramos a habilidade de sobreviver por si. Ele desaprendeu a se bastar. Depende do alimento e abrigo do homem. Entendo que cometemos uma crueldade muito grande quando abandonamos um animal a sua própria sorte. Primeiro lhe tiramos a capacidade de sobreviver por si e depois, quando não nos interessa mais, o abandonamos.
Muitas pessoas dizem amar seus bichinhos de estimação, porém, ao domesticá-los, cometemos um ato de violência. Certamente ele seria mais feliz se ele pudesse viver de acordo com a sua natureza selvagem para a qual foi criado.


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

NATAL NAS COMUNDADES

Orquestra municipal de Barão - Ensaio
Coral municipal de Barão no Sagrado


Grupo de Cantos do Sagrado - Missa em Cafundó




Natal nas comunidades - Na Sede


Orquestra  municipal de Barão - Maestro Lucas E. Grave

confraternização do coral municipal de Barão.
Amigo secreto




NATAL NAS COMUNIDADES



A cultura é um forte indicativo do grau de desenvolvimento social de um povo. Em todos os tempos, os povos desenvolvidos também se destacavam nas ciências, filosofia e, principalmente, nas artes.
O município de Barão destina recursos significativos à cultura e, de um modo especial, à música. É um investimento louvável que certamente renderá ótimos resultados para o município.
Nesta quinta feira passada, dia doze de dezembro, a comunidade do Sagrado teve o privilégio de receber, o projeto “NATAL NAS COMUNIDADES”. É um projeto da SMEC de Barão que visa mostrar, também no interior do município, os resultados deste investimento público. Apesar de ter sido uma quinta feira de noite, um razoável público esteve presente para prestigiar o evento. Apresentaram-se a Orquestra Municipal de Barão, o Coral Municipal de Barão, Coral Gruss Der Berge da Linha Francesa, coral do Centrinho, alunos das Oficinas de Música e o coral local Grupo de Cantos do Sagrado. De acordo com avaliação do público, foi um espetáculo maravilhoso ficando os maiores elogios para a Orquestra Municipal que executou lindas canções natalinas e outras do seu repertório. Em certo momento houve uma integração, dos dois corais com a banda. Creio que foi o momento alto da apresentação quando o maestro Lucas Eduardo Grave mostrou todo o seu preparo e talento.  
O coralzinho local, “Grupo de Cantos do Sagrado”, com seu grupo infantil, também se apresentou a pedido do Professor Lucas. Surpreendentemente fomos alvo de muitos elogios do professor e dos visitantes. São seis crianças, hoje já pré-adolescentes, todas muito talentosas. Os elogios dos visitantes foram importantes não para nos ufanarmos, mas sim para nos indicar que estamos no caminho certo e que o trabalho é meritório.
Barão deve muito à família Grave. Inicialmente, ao professor Airton que, durante muitos anos se dedicou ao ensino da música em Barão e por aqui foi o pioneiro. Atualmente Lucas Grave continua, com a mesma competência, o trabalho iniciado por seu tio Airton. Por meio deste espaço quero deixar o nosso agradecimento pela dedicação e empenho. Certamente as sementes espalhadas por todo o município renderão frutos importantes para a cultura musical de Barão.